Entre os judeus, havia a crença de que os que estavam bem na vida (os ricos, os que tinham muitos filhos, muitos animais, muitas terras, etc.) eram muito abençoados por Deus por fazerem o que é agradável aos seus olhos e os pobres, os que nasciam com alguma doença, os estéreis, etc., eram castigados por Deus, por não seguirem o que Deus deseja. Mas esta Teologia Tradicional foi posta em causa por Livros Bíblicos como o de Job, um homem justo que sofreu muito e que, no seu sofrimento, nunca deixou de fazer o que era bom aos olhos do seu Criador.
No Evangelho de hoje, os que vêm dar conta a Jesus dos Galileus, cujo sangue Pilatos tinha misturado com os sacrifícios, tinham a mesma convicção no fundo do seu espírito. Pensam que os que morreram o fizeram por serem pecadores, mas Jesus corrige-os, dizendo que os que morreram (os que Pilatos misturou o sangue com os sacrifícios, as dezoito pessoas sobre as quais caiu a torre de Siloé e as matou) não eram piores pecadores do que os que vieram dar testemunho a Jesus. E se não se arrependerem, acabarão por perecer como os outros que morreram.
Meus queridos irmãos e irmãs, o tempo da Quaresma é o tempo do arrependimento. O mesmo arrependimento que Jesus repete duas vezes no Evangelho de hoje. É um caminho de quarenta dias que nos leva a olhar para dentro de nós próprios e a começar a retirar da nossa vida as coisas que nos impedem de ter uma boa relação com o nosso Deus e com os nossos irmãos e irmãs. Jesus está a dizer-nos hoje (através daqueles que lhe vieram dar testemunho) que, se não nos arrependermos, pereceremos (“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Jesus Cristo”. Rm 6:23). Por isso, mudemos os nossos maus hábitos de vida e abracemos a vida semelhante à de Cristo.
Arrepender-se não é apenas dar algumas esmolas, jejuar e rezar, o arrependimento é muito mais profundo do que isso. Significa a mudança de mente (Metanoia) e de coração (Teshuva). Significa corrigir as coisas erradas nas nossas mentes e nos nossos corações e é isso que somos chamados a fazer nesta jornada de quarenta dias, como diria o Padre Jean Gailhac: “A Quaresma é um apelo à conversão, a afastar-se do pecado e a voltar-se para Deus. É um tempo para simplificar a nossa vida, para nos desapegarmos das coisas do mundo e nos apegarmos a Deus”.
Aproveitemos o momento de Graça que o Senhor nos está a dar através da Igreja para nos arrependermos dos nossos pecados para que, quando chegar a Páscoa, possamos celebrar a nossa própria Páscoa, de pecadores para justos.
Que Deus abençoe cada um de nós. Uma Quaresma frutuosa para todos, Ámen
Ir. Precious Pyeela
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